Ela sentava numa cadeira de balanço na calçada, ao lado de um pé de jambo.
Eu pedia para andar de bicicleta, e ela dizia: só até o final da rua.
Então eu respirava sonhos numa pequena bicicleta lilás, enquanto ela me observava.
Um dia, ela não pôde mais levar sua cadeira de balanço para a calçada. Mas eu fui só e escondida. Desci na rampa da calçada do meu vizinho e o freio da minha bicicleta não funcionou. Tentei parar com meus pequenos pés, mas minha coxa entrou no ferro de um fusca meio verde.
Voltei pra casa, e ela sem reclamar, cuidou da minha ferida, estancou meu sangue. E eu confesso que a dor maior foi a de não tê-la naquela tarde na calçada comigo.
Vovó, hoje a cicatriz é também prova do teu cuidado.
E sei que há muito céu a nos separar, mas ainda guardo o teu cheirinho de lavanda de todos os dias.
Josefa,a nuvem mais bonita da minha coleção.

