terça-feira, 31 de maio de 2011

Ela sentava numa cadeira de balanço na calçada, ao lado de um pé de jambo.
Eu pedia para andar de bicicleta, e ela dizia: só até o final da rua.
Então eu respirava sonhos numa pequena bicicleta lilás, enquanto ela me observava.
Um dia, ela não pôde mais levar sua cadeira de balanço para a calçada. Mas eu fui só e escondida. Desci na rampa da calçada do meu vizinho e o freio da minha bicicleta  não funcionou. Tentei parar com meus pequenos pés, mas minha coxa entrou no ferro de um fusca meio verde.
Voltei pra casa, e ela sem reclamar, cuidou da minha ferida, estancou meu sangue. E eu confesso que a dor maior foi a de não tê-la naquela tarde na calçada comigo.


Vovó, hoje a cicatriz é também prova do teu cuidado.
E sei que há muito céu a nos separar, mas ainda guardo o teu cheirinho de lavanda de todos os dias.


Josefa,a nuvem mais bonita da minha coleção.

Atravessei medos obscuros para me concentrar em teus olhos.
Mas sorrir e te olhar ao mesmo tempo, não posso. Porque desmoronaria em outros planos, sem conseguir ao menos pausar os meus sentimentos mais calados por fora, que certamente chegariam aos teus ouvidos.

Atravessei a rua.
Você atravessou o Estado.
A gente só não para de atravessar a dor.
E eu vou perdendo peso, nessa travessia de tanta procura


Estranho te ter dentro de mim, e não poder te visitar.
Dentro nem sempre é perto.
Porque dentro está longe.
Tua falta:
Procurando amigos onde só tem a gente.
Me perdoe por não fazer nada além de sentir saudades e chorar em versinhos.

Oh nuvem triste no céu: chova em mim!
Confunda minhas lágrimas com as tuas.
Foi com medo de enlouquecer, que me entreguei a loucura.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

18 h era o show do Pato Fu.18 h saí de casa. Cheguei atrasada(como sempre). Mas cheguei, e isso é o que importa. A primeira música foi “ovelha negra da família”, depois disso só mais alegria... Infelizmente troquei algumas palavras com um ser humano super mal educado... Nem o Lula Molusco é mais chato que ele, pois quando trata-se de música e de sua clarineta , ele fica feliz da vida. Eu fiquei pensando: como num lugar de boa vibração, música tão boa e doce, alguém pode ter uma energia tão negativa? Mas ele foi minoria perto da alegria e das pessoas que tive contato. Pessoas que me emprestaram caneta, papéis de sua agenda, suas câmeras(mesmo não me conhecendo), conversas, nos acompanharam até ao camarim da banda, que compartilhavam de uma mesma emoção ao esperar na fila.
Quase no final do show, minha câmera voou (creio eu) na voz da Fernanda Takai, depois os seus pés sentiram o chão, e quando finalmente a encontrei, não estava funcionando: entrou em estado de graça. Fiquei bem tristinha... Mas de madrugada, depois de uma (outra) queda, ela voltou.
                                                      
                                                         Simplicidade

                                             Vai diminuindo a cidade
                                             Vai aumentando a simpatia
                                             Quanto menor a casinha
                                             Mais sincero o bom dia
                                             Mais mole a cama em que durmo
                                             Mais duro o chão que eu piso
                                             Tem água limpa na pia
                                             Tem dente a mais no sorriso
                                             Busquei felicidade
                                             Encontrei foi Maria
                                             Ela, pinga e farinha
                                             E eu sentindo alegria
                                            Café tá quente no fogo
                                            Barriga não tá vazia
                                            Quanto mais simplicidade
                                            Melhor o nascer do dia

Obrigada, Pato Fu. Pato Fu, obrigada.

sábado, 28 de maio de 2011

Entre tantos risos e choros.
Músicas, gritos e silêncios.



É disso que o nosso amor foi feito:
Todos juntos num final de semana.
Um cantar de parabéns.
Férias, brincando na varanda larga.
Fusca lotado: coração de mãe.
Viagens com o mesmo destino,
Destino de sempre e de emoções novas.
Os versos que não apagam quem se foi.

Os versos mais bonitos são os do amor de família.
Família abraça as nossas feridas.
Família pega no pé, mas nunca abre mão de segurar nas nossas mãos.
Família te faz sorrir na melancolia.
Família dá saudade porque além de você mesmo, ela é o lugar mais bonito de se estar.
Tem as lágrimas da saudade, da lembrança. Tem histórias que se prolongam até a madrugada, pois são tantos os momentos para relembrar.

Hoje: horas.presente!
Ontem: guardado.
Amanhã : ansiado.
Família é o mais sagrado espaço no peito.
Abril 1994

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O pequeno príncipe


As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”
Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.
Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos núméros!

Antonie de Saint-Exupéry
-Sabe o que faltou entre nós?
-Poucos "eu te amo" e muitos "foda-se".


Uma nuvem sincera.




quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quando eu tinha uns 8 anos, mudei o tamanho da minha bicicleta: a da minha irmã não tinha rodinhas.
À tarde, pedalava numa praça e meu pai me ajudava segurando o guidon , evitando possíveis quedas...
Eu gostava das pessoas naquela época porque pensava que muitas delas me ajudariam a não cair. Até que um dia eu preferi pedalar em círculos no meu quintal, e gostar de confiar nas paredes: elas, firmes, sempre estavam lá.


A bicicleta azul.
Amo demais.
Então me afasto.
Depois eu volto.

Ninguém agüenta esse meu amor.
Meu amor não agüenta ninguém.

sábado, 21 de maio de 2011

Meu amigo,me entregando nuvens:

Quem dera eu fosse o que você diz que eu sou
Que minha música fosse tão boa quanto eu a tento fazer
Nem com todos os meus sonhos posso ser o que sou com você

Quem me dera ser o que minto
Um alterego desenhado pra você
Um esboço de mim, feito pra ser




Ver ti
Seu sorriso: nuances.
Me dá vertigem e eu vomito borboletas perturbadas.
Não todas. Não tantas que me tirariam, enfim, a certeza de que sempre viverei entre uma risada e uma náusea.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


A distância não só alonga caminhos, mas também descaracteriza os relacionamentos, aumenta expectativas do encontro e diminui semelhanças.
O amor estreita caminhos, identifica sentimentos, supera expectativas a cada encontro que nos torna mais íntimos.
Desde então, a distância tem andado com o amor, com a saudade, com as afinidades.


Kaline Lira.
Tecer nós dois
Te ser em mim
Teu ser meu ser, e fim.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Me falta alguém
Alguém que eu não sei quem é
Por quem eu choro todo final de tarde
Quando o meu coração queima enquanto uma brisa fria toca meu rosto.
Me falta alguém
E eu deito no chão e miro as nuvens
Eu posso ver o seu sorriso
E eu fico contente, porque às vezes,  a sua lembrança de quem eu não conheço, me traz um certo alívio.
Me falta alguém 
Por quem meu coração ficou apertado ao olhar a rua vazia no inicio da manhã
Pois alguém deixou a minha casa.
Me falta alguém
Que eu esperei na varanda onde a rede se balançava,
E não chegou.
Me falta alguém
Alguém que sempre tive e que sempre me falta
Alguém.