sábado, 17 de setembro de 2011

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Ontem mergulhei no oceano das tuas palavras.
Nem precisei de barco ou bóia.
Que banho na alma foi o teu  pensamento compartilhado...
Nas tuas profundezas me deixei afogar,só assim me salvei.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Eu tinha quase 9 anos  quando o conheci. Hoje ele tem 9.
Ele despejou os brinquedos no chão, agora sabendo o que faz.
Ontem, 2004, eu estava ensinando a falar e a andar. Depois começou a correr.
O mesmo jeito de assistir desenhos: estático.
Saudades de ensinar as palavras que ele já fala sem parar. E sabe mais, é um tal de...Aaah,deixa pra lá.Não sei falar nem escrever isso. Ô palavrinha difícil.
Saudades de carregá-lo nos braços. Mas ainda temos o abraço.
Ao meu lado, sentado no chão: Cresceu no tempo,mas ainda é meu pequeno. Cabe sempre no meu coração.

Ele me pediu:
-Karlinha,eu quero alguma coisa!
- o que é alguma coisa?
-Alguma coisa pra comer.
...
Fui procurar, mas não sei onde ficam as coisas aqui. Não sei mais.
Vivi 13 anos nessa casa, além de casa  foi meu lar. Tá tudo fora do lugar, minha tia mudou muita coisa. O armário marrom com a chave, está num corredor que leva ao quartinho do meu medo, lá atrás. De repente me veio aquele nó na garganta,aquela aguinha nos olhos. -VOVÓ,ESTOU PERDIDA NO LUGAR QUE EU MESMA FIZ ESCONDERIJOS.
A comida não é minha, o dono não está aqui. Eu gosto de pedir licença pra abrir a geladeira dos outros, ou pra comer o doce que não é meu. Essa geladeira que já foi minha...
Fui lá no quartinho do medo, fui entrando e muitas coisas antigas estavam lá. Parecia um baú. Aquele espelho velho do meu tio, o banquinho da cigarreira de vovô, partes da cama de alguém, a  janela velha encostada na parede, a janela com brechas para a casa do vizinho, agora sem brechas(cimento, pedras ou sei lá). Chorei, não mais de medo, mas de saudades. Alice, ali se sendo.Sai dali. E me deparei com bananas. Lembrei da época que minha mãe fazia banana machucada pra mim, com leite e Nescau.
Perguntei: - quer banana machucada com leite e Nescau?  Ele, sendo eu aos 9 anos: -uhum.   
Eu preparei.
Me olhei no espelho sempre alto, e dessa vez sem meia ponta: caramba!como eu cresci.
 


Você guarda nas lentes

- Teresina é colada com MA,  daí é muito louco porque a gente atravessa a ponte e tá em outro Estado.
- Me leva na mochila. Tô curtindo demais seu "souvenir"
- Se eu te levar na mochila vai junto com a cam.
- Tenho problema de ir com a cam, não.Daí cê faz um álbum "coisas di mochila".

E penso todo mundo como eu: guardo ticket de cinema, ingresso de show, ingresso da primeira vez que fui ao frasqueirão torcer pelo ABC, bilhetinhos da sala de aula, provas em branco, envelope com um remetente especial, um antialérgico, radiografias, borboletas no estômago... E pessoas no bolso do coração.
 P/ Jossan Abgnale

Apesar dos socos que a vida nos dá, recebemos ligações de poesia...
2 de setembro, estressada...Recebo uma ligação, calmante de flores:


VAMOS VIAJAR, EU, AS MINHAS CRÍTICAS, AS MINHAS CARAS E BOCAS, AS TUAS DANÇAS, AS MINHAS DÚVIDAS E DÍVIDAS, A AMIZADADE QUE É MINHA, QUE É TUA.
VOU LEVAR, LEVO EU, LEVO SETEMBRO, OS BEIJOS, AS FLORES E ABOBORAS ITLIANA QUE PRECISAM DE MIM.
PRECISO DELAS, DE TUDO, DA NIACINA, DO SOM, DO SOM, DO SOM...
ESTAREI LINDA, LENTA E LONGA. QUANDO VIAJO FICO ASSIM.
DEIXO O FRIO, AS TRILHAS, AS MEnSAGENS.
TEREI A TI.
Kaline Lira

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Não abro mais guarda-chuva pra nada que vem do alto.
Vez em quando chove magnólia em mim.
Pelas brechas dessa chuva, seu olho me conduz a campos ainda mais floridos.
Você, Rosa, sobreviveu ao sol imprudente do sertão, ao outono que racha as folhas, e a chuva que na nossa terra é sinônimo de inverno.
Quanto a mim, sou palavras que as outras estações pedem: escrevi coisas quentes, cores falidas e céus nublados, poças ou dilúvios...
Eu tô setembro, desabrocho também.
Primavera chegou, amor. E agora escrevo em flor.
 
Lilafa

Meu anel só correu o risco de se perder no seu pescoço.
E a gente não correu, a gente quis ficar.
Fazer um abraço
Dividir a mesma chuva
O mesmo medo
A mesma madrugada
A mesma rede
O mesmo sono.
Já é manhã sem frio.
Te acordar com um beijo no pescoço
Não mais vampiro, primavera beija-flor.
Desculpa, já te cultivo no coração.