segunda-feira, 30 de abril de 2012


-Tem flor na sua balista.
Só consigo sentir o abraço quando moro no teu peito.Você diz que meu perfume não parece ser comprável,e que eu sou doce na pele e na voz.
-Tem facas na sua língua.
Só consigo sentir o abraço quando ele não existe.Você não diz mais do meu perfume.E metralhou com um sorriso: se eu quiser doce,compro um pote de geléia.

Para você que eu penso mas não lembro agora.

Não quero a tua rima
Eu quero essa imagem distorcida
Que é a mais pura verdade da tua imperfeição
Quero cantar para você:
“os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão”
Não quero a minha rima
Eu quero a falta de nexo na exatidão
Que é o passar do tempo no meu relógio quebrado
Quero catar para mim
Uma laranja
E extrair o sumo do teu limão
Não  quero a gente rima
Quero a gente poesia
Filolino


Negou-se a olhar para trás. Colocou uma rolha na garganta por alguns segundos e um punhado de barro molhado amassou no seu coração. Tampou. E sabendo que sempre  existiria buraquinhos, optou por ficar sem respirar. E como é difícil recusar a chance que se tem de matar a própria curiosidade. Mas era preciso resistir porque dois passos para a sua alegria desabariam numa dor. E estava tão cansada para fazer ode ao sofrimento,ouvir musiquinhas que a deixariam mais triste. Fora o tempo que estava escasso para ler textos melancólicos que se  identificavam com suas situações. Agora estava cheia de compromissos que lhe exigiam uma concentração e um corpo descansado como nunca.
Sempre foi muito de perder . E apesar das últimas perdas , demonstrava com sutileza todas as conseqüências. No máximo olheiras de uma noite mal dormida ou uma dor de cabeça. Depois dava um sorriso automático e abafava suas próprias urgências para ouvir os desabafos dos outros.
Não, ela não deixou uma ferida aberta, mas também não está tratando como deveria. Nem sei se está pegando atalhos ou indo pelo caminho inteiro  se distraindo e enxergando apenas o que quer.
Será que nessa luta para não sofrer está se machucando ainda mais? Sei Lá. Só sei que mesmo exausta e atrasada,para e olha para o cobrador de ônibus e lhe deseja um bom dia.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



Pierrot


Meu amor da janela,agonizando, e morrendo nos meus olhos.
Quando eu chamava você me olhava, amor.
Amor, quando eu gritei seu ouvido já estava envenenado.
Quando eu acordava você dormia nas minhas pernas, amor.
Amor, quando eu acordei sua dor estava no chão do meu coração.
Não bebe, não come mais. E eu mastigo minhas lágrimas,amor.
Isso tudo dói demais. Eu surto. Eu estou lambendo a morte. Terra seca engole você, e minha garganta arde de areia em luto.Você me perdoe amor, por não ser dono da vida.