Eu tinha quase 9 anos quando o conheci. Hoje ele tem 9.
Ele despejou os brinquedos no chão, agora sabendo o que faz.
Ontem, 2004, eu estava ensinando a falar e a andar. Depois começou a correr.
O mesmo jeito de assistir desenhos: estático.
Saudades de ensinar as palavras que ele já fala sem parar. E sabe mais, é um tal de...Aaah,deixa pra lá.Não sei falar nem escrever isso. Ô palavrinha difícil.
Saudades de carregá-lo nos braços. Mas ainda temos o abraço.
Ao meu lado, sentado no chão: Cresceu no tempo,mas ainda é meu pequeno. Cabe sempre no meu coração.
Ele me pediu:
-Karlinha,eu quero alguma coisa!
- o que é alguma coisa?
-Alguma coisa pra comer.
...
Fui procurar, mas não sei onde ficam as coisas aqui. Não sei mais.
Vivi 13 anos nessa casa, além de casa foi meu lar. Tá tudo fora do lugar, minha tia mudou muita coisa. O armário marrom com a chave, está num corredor que leva ao quartinho do meu medo, lá atrás. De repente me veio aquele nó na garganta,aquela aguinha nos olhos. -VOVÓ,ESTOU PERDIDA NO LUGAR QUE EU MESMA FIZ ESCONDERIJOS.
A comida não é minha, o dono não está aqui. Eu gosto de pedir licença pra abrir a geladeira dos outros, ou pra comer o doce que não é meu. Essa geladeira que já foi minha...
Fui lá no quartinho do medo, fui entrando e muitas coisas antigas estavam lá. Parecia um baú. Aquele espelho velho do meu tio, o banquinho da cigarreira de vovô, partes da cama de alguém, a janela velha encostada na parede, a janela com brechas para a casa do vizinho, agora sem brechas(cimento, pedras ou sei lá). Chorei, não mais de medo, mas de saudades. Alice, ali se sendo.Sai dali. E me deparei com bananas. Lembrei da época que minha mãe fazia banana machucada pra mim, com leite e Nescau.
Perguntei: - quer banana machucada com leite e Nescau? Ele, sendo eu aos 9 anos: -uhum.
Eu preparei.
Me olhei no espelho sempre alto, e dessa vez sem meia ponta: caramba!como eu cresci.
Nenhum comentário:
Postar um comentário