Negou-se a olhar para trás. Colocou uma rolha na garganta por
alguns segundos e um punhado de barro molhado amassou no seu coração. Tampou. E
sabendo que sempre existiria
buraquinhos, optou por ficar sem respirar. E como é difícil recusar a chance que
se tem de matar a própria curiosidade. Mas era preciso resistir porque dois
passos para a sua alegria desabariam numa dor. E estava tão cansada para fazer
ode ao sofrimento,ouvir musiquinhas que a deixariam mais triste. Fora o tempo
que estava escasso para ler textos melancólicos que se identificavam com suas situações. Agora estava
cheia de compromissos que lhe exigiam uma concentração e um corpo descansado
como nunca.
Sempre foi muito de perder . E apesar das últimas perdas , demonstrava
com sutileza todas as conseqüências. No máximo olheiras de uma noite mal dormida
ou uma dor de cabeça. Depois dava um sorriso automático e abafava suas próprias
urgências para ouvir os desabafos dos outros.
Não, ela não deixou uma ferida aberta, mas também não está
tratando como deveria. Nem sei se está pegando atalhos ou indo pelo caminho
inteiro se distraindo e enxergando
apenas o que quer.
Será que nessa luta para não sofrer está se machucando ainda
mais? Sei Lá. Só sei que mesmo exausta e atrasada,para e olha para o cobrador de
ônibus e lhe deseja um bom dia.
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